Cientistas podem estar próximos de desvendar mistério envolvendo o Sol

Cientistas que estudam o Sol têm um problema: Eles não conseguem explicar de forma concreta por que a atmosfera do sol é cerca de 100 vezes mais quente que a sua superfície. Agora, pesquisadores estão mais próximos de entender pelo menos um dos motivos pelo qual a atmosfera, chamada coroa solar, é tão quente.

Por que a atmosfera do sol é mais quente que a região abaixo dela? Se você pensar bem, isso não faz muito sentido.

A fusão nuclear que ocorre no centro do Sol aquece essa região a impressionantes 15 milhões de graus celsius. Cada camada sucessiva do sol é mais “fria” que essa. A superfície do sol, por exemplo, possui “apenas” cerca de 6000ºC. Se você já sentou ao lado de uma fogueira e precisou se afastar um pouco porque estava muito quente, isso faz todo o sentido. Mas imagine dar alguns passos para longe da fogueira e, de repente, sentir como se você estivesse queimando ainda mais. Isso é o que acontece com o sol.

Os cientistas chamam isso de “problema de aquecimento coronal”, e eles estão tentando resolvê-lo desde a década de 1930. Hoje, há duas teorias principais. Diz-se que os laços do campo magnético do Sol induzem correntes elétricas na coroa. Estas liberam energia e causam aquecimento. A outra teoria postula que as ondas carregam a energia do interior do Sol para a coroa. A nova pesquisa sugere como isso pode ocorrer.

Violentas turbulências dentro do Sol produzem ondas sonoras, chamadas “onda helio-sísmicas“. Elas saem do interior do Sol, refletindo para fora da superfície do astro e rebotando de volta para baixo. Mas então elas sofrem um processo físico conhecido como refração, que faz com que elas retornem para a superfície. Desta forma, as ondas helio-sísmicas ficam aprisionadas, inclusive fazendo o Sol vibrar em milhões de padrões diferentes.

Onda solar viajando até a atmosfera do astro. / NASA/BBSO/Zhao et al

Onda solar viajando até a atmosfera do astro. / NASA/BBSO/Zhao et al

Mas existe uma conexão entre as ondas helio-sísmicas presentes na superfície do Sol e a coroa acima dela? A nova pesquisa sugere que sim.

Os pesquisadores usaram dados de duas espaçonaves da NASA – o Solar Dynamics Observatory e o Interface RegionImaging Spectrograph, além do Big Bear Solar Observatory – que também contribuiu com o estudo. As imagens do sol adquiridas a partir desses observatórios permitiram que os cientistas rastreassem uma onda viajando até a superfície, e depois para as profundezas da atmosfera do Sol.

“Vimos certos tipos de ondas sísmicas solares canalizando para cima da atmosfera interior, chamada cromosfera, e de lá para a coroa”, disse Junwei Zhao, cientista especializado no estudo do Sol na Universidade de Stanford, na Califórnia, principal autor do estudo. Essa canalização de uma onda solar “pode trazer energia substancial para a atmosfera mais alta, onde a energia oscilatória se dissipa e contribui para o aquecimento coronal” explica Zhao e seus colegas no artigo.

As novas descobertas apontam para uma pesquisa mais aprofundada que poderia eventualmente resolver completamente o mistério profundo e persistente do problema de aquecimento coronal.

Originalmente por Tom Yulsman | Discover Magazine

Fundador e dono de todos os projetos da Climatologia Geográfica e Novo Cientista e redator/social media nos dois sites. Adoro viajar pelo mundo e desfrutar da natureza. Adicionem o perfil pessoal: https://www.facebook.com/IsaiasMarquesJunior

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