Governo peruano quer contatar indígenas ‘intocados’

O governo peruano planeja fazer seus primeiros contatos com uma tribo indígena isolada que vive na floresta amazônica, a Mascho Piro. Nem todos concordam que esse contato seja necessário, já que por os membros da tribo não terem imunidade à algumas doenças comuns, elas podem se tornar letais. No entanto, os oficiais dizem que precisam fazer esse contato com o Mascho Piro porque o grupo recentemente emergiu da floresta, e teve contato com turistas, missionários e pessoas que vivem em vilarejos próximos.

Em setembro de 2014, por exemplo, o grupo Survival International relatou que missionários deixaram comida e roupas para a tribo perto da costa do Parque Nacional de Manu. Gestos como esses acabaram levando doenças para pessoas que nunca haviam tido contato com certos vírus e bactérias, causando epidemias.

Algumas companhias também anunciam ‘safaris humanos’, prometendo algumas visões do povo Mascho Piro ao longo das margens dos rios. Por conta desse contato sem planejamento e controle, alguns antropólogos defendendo o contato deliberado com pessoas isoladas.

“A menos que esforços de proteção contra ameaças externas e encontros acidentais sejam drasticamente aumentados, as chances desses seres humanos sobreviverem são pequenas”, escreveram os antropólogos Robert Walker, da Universidade do Missouri e Kim Hill, da Universidade do Estado do Arizona.

De acordo com Hill e Walker, o contato controlado, com tratamentos médicos disponíveis para as transmissões inevitáveis de doenças, é seguro.

“Um contato bem desenvolvido e planejado pode ser muito seguro, comparado com os desastrosos resultados de contatos acidentais”, escreveram. “Entretanto, um contato seguro exige uma equipe qualificada de tradutores e profissionais da saúde dispostos permanecer no local por mais de um ano”.

Os Mascho Piro já realizaram suas próprias aproximações com outras culturas. Em maio de 2015, membros da tribo atacaram um ajuntamento da tribo Machiguenga, matando um homem. Em 2011, um confronto entre as duas tribos deixou um morto e um guarda-florestal ferido. Em agosto de 2014, dois grupos de peruanos que não tinham contato com a civilização alertaram as autoridades brasileiras que haviam sido atacados por humanos que não eram índios – possivelmente criminosos em alguma atividade ilícita, como a derrubada ilegal de árvores.

A política peruana normalmente pede para que tribos isoladas sejam deixadas por sua conta. Entretanto, as autoridades querem agora entender por que os avistamentos de membros dosMascho Piro estão crescendo. “Em 2014, houve 70 avistamentos de membros do Mascho Piro nas praias do rio”, disse Patricia Balbuena, ministra de multiculturalismo no Peru.

Fonte: Live Science

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