Mapa subterrâneo da Lua revela a origem de misteriosos anéis na superfície lunar

Há aproximadamente 3,8 bilhões de anos, o Mare Orientale – um dos ‘mares’ da Lua (planícies basálticas na superfície lunar) – foi formado a partir de uma explosão. Um impacto que se expandiu por 930km de largura atingiu a borda visível da Lua.

O Mare Oriental se assemelha a um olho, com um interior liso cercado por três anéis. Durante décadas, os cientistas debateram o significado desses anéis, encontrados ao redor das maiores bacias de impacto conhecidas na Lua, Marte e na Terra. Será que os anéis batem com a borda da cratera deixada pelo asteroide ou cometa? Agora, um novo mapa lunar subterrâneo da missão GRAIL (Gravity Recovery and Interior Laboratory), da NASA, sugere que a resposta é não.

Quatro anos atrás, quando as duas naves da GRAIL se aproximaram do fim de uma missão orbital de quase um ano de duração, com uma colisão planejada, eles mediram a Orientale a partir de uma pequena altitude de 2km. Tão perto, a espaçonave era sensível a pequenas mudanças na gravidade da lua, causada por rochas de diferentes densidades enterradas – dando à equipe da GRAIL uma imagem interessante do subsolo, e uma melhor ideia sobre como o impacto realmente aconteceu.

Eles descobriram que o impacto que formou a Orientale cavou uma cratera de 320 a 460km de largura – menor do que qualquer um dos anéis. Dentro de uma hora, as paredes íngremes da cratera caíram. As rochas quentes localizadas no manto reagiram formando uma torre que chega aos 140km de altura. Uma crosta mais rígida, montada sobre as rochas do manto, rachou-se e formou os dois anéis exteriores. O posterior colapso da torre fez com que as rochas se amontoassem no anel mais interior.

No início deste ano, cientistas foram até o Golfo do México para analisar a cratera Chicxulub – que supostamente extinguiu os dinossauros, e encontraram um processo semelhante. Além de resolver o mistério dos anéis, os pesquisadores da GRAIL esperam que o mapa subterrâneo ajude a refinar os modelos que liga a velocidade e tamanho dos meteoros e asteroides às cicatrizes deixadas por eles em todo o sistema solar.

Originalmente por Paul Voosen | ScienceMag

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