Artigos científicos, notícias e muito mais.

6 cientistas que tiveram que sair de suas casas como refugiados

Em 1933, a casa de Albert Einstein na Alemanha foi invadida por agentes do governo nazista. Eles tinham denunciado tanto Einstein quanto o seu trabalho, chamando a teoria da relatividade de “ciência judaica”.

Felizmente, Einstein estava nos EUA quando Hitler assumiu o poder. Ao invés de ser assassinado, ele se tornou o mais famoso dos refugiados do mundo.

Após um período na Inglaterra sob guarda permanente, lhe foi oferecido um cargo na Universidade de Princeton. Mas mesmo o maior cientista da sua época tinha que enfrentar argumentos sobre sua autorização para residir nos EUA. Milhares de outros cientistas também fugiram da Alemanha, mas não receberam recepções tão amigáveis. Muitas instituições acadêmicas estadunidenses tinham uma cota para judeus, e milhares de refugiados acabaram morrendo nos campos de concentração.

No entanto, aqueles que escaparam representaram um papel crucial para que os Aliados vencessem a guerra, além de se tornarem importantes no desenvolvimento de instituições científicas e empresas nos países onde se instalaram.

 

Apesar de tudo, não podemos ao menos estimar quantos jovens gênios tiveram seu potencial ceifado pela intolerância de um governo que não os aceitaram.

Além do mencionado Albert Einstein, outros grandes cientistas passaram por situações parecidas. Confira outros 5:

Johannes Kepler

A Europa do final do século XVI e início do século XVII não era o lugar mais amigável. Guerras religiosas varreram o continente, e ser um cientista cujo trabalho desafia as interpretações bíblicas dominantes é algo perigoso.

A habilidade matemática e física de Kepler nos permitiu compreender os movimentos planetários e o comportamento da luz, mas enquanto realizava estes feitos, o cientista estava em constante ameaça. Banido de Graz, na Áustria, por conta de suas convicções religiosas, Kepler teve sorte de o Imperador Rudolph II renunciar as proibições oficiais sobre luteranos em Praga.

Isto permitiu-lhe fazer o trabalho que transformou a astronomia em segurança. Depois que Rudolph abdicou, Kepler precisou se mudar mais 3 vezes.

Erwin Schrödinger

Climatologia Geográfica

Erwin Schrödinger – famoso por sua experiência mental do gato vivo e morto – não era judeu, mas mesmo assim deixou a Alemanha em 1934, por conta da sua oposição ao nazismo. Apesar de ter recebido o Prêmio Nobel de Física em 1933 por sua equação de onda (que serviu como base para boa parte da física quântica), ele foi evitado pelas universidades de Oxford e Princeton por conta de suas relações sexuais pouco ortodoxas, e acabou por tomar uma posição na Universidade de Graz. Quando a Alemanha dominou a Áustria, ele ficou em uma situação complicada por conta da sua oposição pública ao anti semitismo e a amizade com Einstein.

Depois de fugir da Áustria, Schrödinger acabou se instalando na Irlanda. Lá, ele desempenhou um papel importante no estabelecimento da escola de física teórica no Instituto de Estudos Avançados de Dublin.

Salome Gluecksohn-Waelsch

Os mais famosos refugiados da Alemanha nazista foram os físicos, mas Salome Gluecksohn-Waelsch foi uma geneticista que ajudou a explicar como as células de um óvulo fecundado se diferenciava nos vários papeis necessários para um corpo funcionar.

Como mulher judia, enfrentou uma dupla discriminação na Alemanha, fugindo em 1933. Também lhe foi recusado um cargo na Universidade de Columbia por causa do seu gênero. Apesar destes obstáculos, ela ganhou a Medalha Thomas Morgan por suas contribuições para a genética.

Gustav Nossal

Climatologia Geográfica

Sir Gustav Nossal tinha apenas 7 anos quando sua família precisou fugir da Áustria, em 1939. Nossal se estabeleceu na Austrália e se tornou um dos cientistas mais destacados do país, além de presidente tanto da União Internacional de Ciências Imunológicas quanto da Academia Australiana de Ciências.

As centenas de artigos sobre imunologia publicados por Nossal o levou a ser nomeado Australiano do ano, em 2000, o que é a prova definitiva de que seu novo país é feliz por ter deixado-o entrar.

Emmanuel Dongala

Climatologia Geográfica

Nascido na República do Congo em 1941, Emmanuel Dongala foi escritor, dramaturgo e premiado PhD em Física pela Universidade de Montpellier, na França. Mais tarde, voltou para seu país de origem, onde foi professor de química na Universidade de Brazzaville, instituição da qual tornou-se reitor.

No entanto, Dongala foi forçado a fugir na guerra civil de 1990. Apesar de seu tempo como estudante, a França recusou seu pedido de asilo. Felizmente, o apoio de escritores proeminentes fizeram com que ele fosse aceito nos EUA, onde se tornou professor de física da Universidade de Simon Rocks, Massachusetts.

 

O conflito lhe deu bastante material para escrita, mas também interferiu em sua pesquisa sobre toxicologia ambiental.

Comentários
Carregando...