Cientistas criam “máquina de alucinação” para viagem sem drogas

Usando alguns truques de uma Inteligência Artificial da Google e um fone de ouvido de realidade virtual, cientistas criaram um dispositivo que estão chamando de “máquina de alucinação”.

Esta experiência de imersão mental, que levou vários anos para ser criada, foi preparada para ajudar os especialistas a entender como o cérebro processa o que estamos percebendo e como isso pode diferenciar a realidade e as alucinações.

A pesquisa ainda é um trabalho em andamento, embora alguns resultados iniciais tenham aparecido em um artigo que compara o efeito da máquina de alucinação com o uso de drogas psicodélicas clássicas.

“Estamos alucinando o tempo todo”, disse o coordenador do centro responsável pelo estudo, Anil Seth, em um TED. “Quando concordamos com nossas alucinações as chamamos de realidade”.

As alucinações são realmente úteis no estudo do cérebro porque nos mostram os mecanismos que fazem com que o cérebro funcione de forma diferente.

No entanto, dar LSD ou cogumelos para as pessoas não é útil neste caso porque altera a composição química do cérebro, o que torna difícil isolar apenas os efeitos visuais.

O sistema Deep Dream usa uma abordagem de rede neural para tentar identificar padrões e recursos em imagens. Simplificando, o Deep Dream enfatiza o reconhecimento de padrões, ou o modo como o nosso cérebro interpreta o mundo, tanto que começa a imaginar coisas que não estão realmente lá.

Acontece que o Deep Dream foi inicialmente treinado com uma enorme amostra de imagens de cães, e por isso muitas vezes pensa que está vendo cães em quaisquer fotos ou vídeos que recebe.

“Uma coisa que as pessoas sempre nos perguntam é por que há tantos cachorros”, disse o neurocientista cognitivo David Schwartzman.

Os pesquisadores usaram uma versão modificada do Deep Dream para processar um vídeo panorâmico do campus universitário. Em seguida, eles mostraram isso para 12 voluntários, que acharam que as alucinações visuais eram semelhantes às provocadas pela psilocibina, o composto ativo nos cogumelos alucinógenos.

Os voluntários foram questionados se sentiam uma perda de controle ou uma perda de seu senso de si mesmos, e se eles viram padrões e cores. Suas respostas concordaram com os resultados de um estudo de 2013 sobre a experiência de tomar psilocibina.

Em um segundo experimento, 22 participantes foram questionados se sentiam sensação de distorção ou deformação temporal. Nesse caso, as respostas foram semelhantes às registradas depois de assistir a vídeos disponibilizados pelos pesquisadores.

Isso parece sugerir que a máquina dos pesquisadores pode replicar alguns dos efeitos de usar drogas psicodélicas. No entanto, apenas alguns voluntários foram testados até agora, e eles eram um grupo diferente do que o interrogado em 2013.

“Globalmente, a máquina de alucinação fornece uma nova e poderosa ferramenta para complementar a pesquisa sobre estados de consciência alterados”, concluem os pesquisadores.

Os resultados foram publicados na Science Reports.

Traduzido e adaptado de Science Alert.

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