Cientistas restauram visão de ratos

Até agora, acreditava-se que uma vez destruído, os ramos de ligação de células nervosas – chamados de axônios – não podiam ser regenerados. No entanto, pesquisas recentes têm mostrado que o aumento da atividade de uma proteína chamada mTOR pode estimular esses axônios a se reparar parcialmente – embora não o suficiente para voltar a reconectar ao sistema nervoso central e restaurar a visão.

Usando isso como um ponto de partida, pesquisadores criaram ratos geneticamente modificados para produzir níveis elevados de mTOR em suas células da retina, antes do esmagamento do nervo óptico atrás de um dos seus olhos. Ao longo das três semanas seguintes, estes ratos passaram grande parte do seu tempo em gaiolas assistindo projeções do movimento de linhas pretas.

No final deste período, os pesquisadores descobriram que os axônios do nervo óptico foram parcialmente regenerados, atingindo o quiasma óptico, o que sugere que a estimulação repetida combinada com a regulação positiva de mTOR pode causar algum grau de regeneração axonal.

Em uma tentativa de levar isso um passo a diante, os pesquisadores repetiram o experimento, mas suturaram o olho bom de cada rato, forçando-os a olhar para as linhas que se deslocam com o olho danificado. Em um artigo na revista Nature Neuroscience, os autores revelam que isso resultou em um aumento de 500 vezes no renascimento do axônio, com muitos destes ramos se estendendo por todo o caminho até o cérebro.

Talvez de forma mais significativa, esses axônios foram capazes de se reconectar a seus locais de destino no cérebro, evitando locais incorretos, o que sugere que eles sejam capazes de lembrar para onde ir quando crescer.

Para testar os efeitos da regeneração, os pesquisadores submeteram os ratos a uma série de testes de visão, descobrindo que eles foram capazes de controlar objetos em movimento e detectar a presença de objetos acima da cabeça. Porém, os ratos não se saíram tão bem em testes para avaliar sua percepção de profundidade, o que sugere que seus nervos ópticos não se regeneraram o suficiente para chegar até algumas partes do cérebro.

Apesar do fato de nem todos os axônios danificados terem regenerado, um dos autores do estudo afirma que ele mostrou um renascimento notável e espera um dia aperfeiçoar esta técnica visando criar tratamentos para problemas de visão em humanos. [IFFCG]

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