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Cientistas revelam padrões de chuva do antigo Saara Verde

Originalmente por Phys.org
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

O Deserto do Saara nem sempre foi como é hoje em dia. Antigamente, houveram savanas e outros tipos de vegetações, bem como animais, que viviam por lá. Agora, analisando sedimentos marinhos, cientistas conseguiram encontrar padrões de chuva durante a época conhecida como ‘Saara Verde’. De acordo com Jessica Tierney, da Universidade do Arizona, principal autora do estudo, a região do Saara eram 10 vezes mais úmida antigamente.

A época do Saara Verde teve sua existência identificada por estudos nem tão recentes, mas a grande novidade de Tierney e sua equipe é que são os primeiros a compilar um registro contínuo da chuva no local voltando a até 25 mil anos atrás.

Evidências arqueológicas mostram que humanos ocuparam grande parte do Saara durante o período mais úmido, mas saíram de lá há pelo menos 8 mil anos. Outras investigações sugerem que o Saara se tornou seco exatamente no momento em que as pessoas saíram de lá, mas as evidências não são conclusivas, de acordo com Tierney.

Segundo a autora principal desse novo estudo, o que levou as pessoas a deixar a região pode ter sido justamente um período prolongado de seca. “O interessante é que as pessoas que chegaram depois do período seco eram diferentes – a maioria criava gado. Esse período de seca separa duas culturas distintas. Nossos registros providenciam um contexto climático para essa mudança na ocupação e no estilo de vida das pessoas no oeste do Saara”, explica Tierney.

Tierney e sua equipe também utilizaram os registros de chuva para replicar os padrões climáticos do Saara e projetar o que pode estar reservado no futuro da região. Já faz um bom tempo que os pesquisadores sabem que o Saara era muito mais verde no passado, mas a quantidade de água presente no local no passado não é bem entendido, disse Tierney. Os cientistas normalmente conseguem examinar o passado climático de uma região através de antigos sedimentos de lagos. Entretanto, no Saara, os lagos secaram há muito tempo, e os sedimentos já não existem mais.

Em vez de sedimentos de lagos, Tierney e sua equipe utilizaram núcleos de sedimentos do Oeste da África, em quatro lugares diferentes. Como os núcleos foram tirados de uma distância de 1300km – em Ghir, no Marrocos, ao noroeste da Mauritânia -, eles revelam os padrões de chuva e a extensão do Saara Verde.

Em plantas terrestres, a composição química da cera de uma folha muda dependendo de quão seco ou úmido o clima era quando a planta estava crescendo. A cera também acaba indo para o oceano algumas vezes, e é preservada nos sedimentos marinhos que são revelados ano após ano.

“As ceras registram as condições climáticas na região”, disse Tierney. Analisando a cera das folhas de antigos sedimentos marinhos, a equipe determinou os padrões chuva no passado da região, e também coletou evidências sobre os tipos de planta que cresciam por lá. A equipe também queria descobrir como as condições da região interagiam com a atmosfera, porque muito do modelo de clima atual não simula o período do Saara Verde, ela disse.

A quantidade de radiação solar que a Terra recebe durante o verão do Hemisfério Norte depende de onde a oscilação da Terra está, em seu ciclo de 23 mil anos.

No começo do Saara Verde, o Hemisfério Norte esteve próximo ao sol durante o verão. Verões mais quentes aumentaram os monções do oeste africano e trouxeram mais chuva. Próximo ao fim do Saara Verde, o Hemisfério Norte estava mais distante do sol, e os monções da oeste africano estavam mais fracos.

De acordo com Tierney, existe um ‘feedback’ entre a vegetação, poeira e chuva. Nesse momento, o Deserto do Saara é a maior fonte de areia do planeta – mas um Saara com mais vegetação poderia ter produzido muito menos poeira.

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