Como a maconha pode afetar o cérebro

Planta de maconha. Créditos de imagem: OpenRangeStock/ShutterStock

A maconha tem a reputação de droga consideravelmente inofensiva, mas os pesquisadores estão descobrindo cada vez mais sobre os efeitos que ela pode ter no cérebro.

“O maior risco relacionado com o consumo de maconha é o aumento do risco de psicose”, disse o Dr. Scott Krakower, da unidade de psiquiatria do hospital Zucker Hillside, em Nova Iorque. Outro risco significativo para quem usa a droga durante a adolescência é a probabilidade de uma queda de QI. “É seguro afirmar que as pessoas que fumam maconha, especialmente durante a juventude, são mais suscetíveis a ter uma redução do seu QI mais tarde na vida”, disse Krakover para o Live Science.

Aqui temos uma lista de como a utilização pode afetar o nosso cérebro:

Psicose

Diversos estudos têm relacionado o uso da cannabis a um risco maior de psicose, que é um termo médico que se aplica a sintomas que envolvem perder o contato com o mundo real, como alucinações. Em uma análise publicada pela revista Schizophrenia Bulletin, os pesquisadores analisaram estudos anteriores sobre cerca de 67 mil pessoas.

Eles descobriram que as pessoas que usavam maconha eram mais propensas a serem diagnosticadas com uma condição de saúde mental psicótica, como a esquizofrenia, do que pessoas que nunca usaram maconha.

Uma publicação da revista Biological Psychiatry também encontrou uma ligação entre o consumo de cannabis e um aumento do risco de psicose. No geral, os estudos epidemiológicos fornecem evidências fortes o suficiente para justificar a mensagem de saúde pública de que o consumo de cannabis pode aumentar o risco de distúrbios psicóticos.

Planta de maconha. Créditos de imagem: OpenRangeStock/ShutterStock
Planta de maconha. Créditos de imagem: OpenRangeStock/ShutterStock

Maconha e QI

Adolescentes que fumam maconha podem ser mais propensos a sofrer uma queda de QI quando forem mais velhos, uma pesquisa sugere. Em um estudo com mais de 1000 pessoas na Nova Zelândia, pesquisadores realizaram testes de QI com os participantes duas vezes: quando eles tinham 13 anos e quando chegavam aos 38. Os pesquisadores também questionaram os participantes sobre o uso de drogas durante o período do estudo.

Cerca de 5% das pessoas começaram a usar maconha quando eram adolescentes. E descobriu-se que aqueles que fumaram maconha pelo menos 4 vezes por semana durante toda a vida sofreram uma queda de QI de 8 pontos, em média.

Não está claro o motivo da maconha poder ter efeitos negativos sobre o QI, mas pode ser que os adolescentes sejam mais vulneráveis aos efeitos da droga sobre o cérebro, disse Susan Tapert, neuropsicóloga da Universidade de San Diego, na Califórnia.

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Tamanho do cérebro e conexões

O uso de maconha por muitos anos pode estar ligado a alterações no tamanho do cérebro, uma pesquisa sugere. Em um estudo publicado na revista Proceedings, os pesquisadores analisaram 48 adultos que usaram a droga pelo menos 3 vezes ao dia, por uma média de oito ou nove anos, e 62 pessoas que não usavam maconha. Descobriu-se que as pessoas que fumavam maconha diariamente por pelo menos quatro anos tinham um volume menor na região do cérebro chamada córtex orbitofrontal, que pesquisas anteriores haviam ligado ao vício.

Os pesquisadores também descobriram que os cérebros dos usuários crônicos de maconha apresentavam maior conectividade, que geralmente mensura o quão bem a informação viaja entre as diferentes partes do cérebro.

[Maconha pode aumentar os níveis de açúcar no sangue]

Sistema de recompensa do cérebro

O cérebro de pessoas que fumaram maconha durante muitos anos podem responder de forma diferente a certas recompensas, de acordo com um estudo recente. Os cientistas descobriram que os participantes do estudo que fumaram maconha por em média 12 anos apresentavam maior atividade no sistema de recompensa do cérebro quando olhavam para objetos que eles utilizavam para fumar maconha do que quando olhavam para suas frutas favoritas. Em comparação, um grupo de controle que não fumava maconha não apresentou maiores atividades nessa região do cérebro quando lhes foram mostrados objetos relacionados à maconha. Os resultados foram publicados na revista Human Brain Mapping.

“Este estudo mostra que a maconha atrapalha o circuito de recompensa do cérebro, fazendo com que a maconha seja altamente importante para os usuários frequentes”, disse a Dr. Francesca Filbey, autora do estudo e professora de ciência comportamental e cerebral da Universidade do Texas.

 

Artigo original em Live Science (inglês).

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