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Crescer em famílias homoparentais não causa dificuldades psicológicas e emocionais em crianças, diz estudo

O casamento entre pessoas do mesmo sexo é um debate bastante ativo no Brasil e em diversos países do mundo. Em alguns lugares, a união de homossexuais já é reconhecida por lei, mas muitas pessoas ainda se opõem a este tema.

Um dos argumentos mais frequentes entre os que desaprovam a união homossexual é a suposição de que as crianças criadas em famílias que não são constituídas por um homem e uma mulher sofrem uma série de problemas durante a infância e adolescência.

Mas o que a ciência tem a dizer sobre isso?

De acordo com informações do ScienceAlert, uma equipe de pesquisadores estadunidenses e suecos analisaram dados de 2013 a 2015, retirados da National Health Interview Survey (Inquérito Nacional de Entrevista de Saúde) dos Estados Unidos. Os dados compilam informações sobre as dificuldades mentais e emocionais de mais de 21 mil crianças de 4 a 17 anos de idade.

A forma como os dados da pesquisa são coletados foram alterados neste novo estudo, de forma a levar em consideração a orientação sexual de cada adulto – algo que antes só poderia ser suposto, com base no gênero dos pais.

O estudo não encontrou nenhum indício de problemas emocionais ou psicológicos entre as crianças com pais homossexuais. No entanto, foi descoberto uma tendência a pontuações menores nos questionários de bem-estar” respondidos pelas crianças quando estas estavam inseridas em uma família com pais bissexuais. No entanto, de acordo com os pesquisadores, isso tem uma explicação.

Segundo os autores da pesquisa, esses resultados negativos envolvendo as famílias de bissexuais despareceram depois de levados em consideração o nível de estresse psicológico dos pais. Ou seja, segundo os autores, qualquer variação no bem-estar emocional e mental das crianças provavelmente foi causado por conta dos desafios que seus pais enfrentam em uma sociedade que estigmatiza sua orientação sexual e as relações “não tradicionais”. Por isso, os resultados negativos encontrados, segundo eles, não podem ser diretamente considerados consequência da sexualidade dos pais.

“À medida em que famílias formadas por lésbicas, gays e bissexuais se tornam mais visíveis, as descobertas reforçam estudos anteriores, revelando que as crianças criadas nessas famílias possuem bem-estar psicológico comparável àquelas criadas por pais heterossexuais”, disse o pesquisador Jerel Calzo, da Universidade de San Diego. “Além disso, os resultados mostram a importância de investimentos contínuos em estratégias para evitar a discriminação de ordem sexual, e oferecer suporte para pais que façam parte da minoria, que podem estar passando por situações de estresse”.

A pesquisa foi publicada no Child Development.

 

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