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Espécie de aranha recém descoberta é capaz de se disfarçar de folhas mortas

Muitas vezes, no reino animal, a melhor maneira de sobreviver é fingir ser o que você não é – seja para atacar suas presas quando elas menos esperam ou para convencer seus predadores de que você não é tão saboroso assim. Recentemente, os cientistas fizeram uma descoberta que talvez cause arrepios naqueles que não gostam de aranhas.

Trata-se de uma aranha capaz de usar uma espécie de máscara para se esconder e passar despercebida. É a única espécie de aranhas que consegue fazer com que seu corpo pareça uma folha seca. As descobertas foram detalhadas em um estudo recente, mas o aracnídeo ainda deverá ser detalhado e descrito oficialmente na biologia.

O disfarce é uma prática mais comum em insetos que em aracnídeos. De fato, vários tipos de insetos possuem corpos que imitam plantas. Por exemplo, os insetos da ordem Phasmatodea possuem centenas de espécies de insetos capazes de fingir que são galhos de árvores, se protegendo assim dos predadores. Outros insetos mais coloridos conseguem passar despercebidos se fingindo de flores. Assim, atraem insetos menores – que acabam servindo de refeição.

No entanto, cerca de 100 espécies de aranhas também possuem a habilidade de parecer inanimadas ou pouco apetitosas, se passando até mesmo por fezes de pássaros, por exemplo. Mas essa é a primeira espécie de aranha capaz de fingir ser uma folha. E essa descoberta foi completamente acidental, de acordo com o autor do estudo, Matjaz Kuntner, investigador do Laboratório de Zoologia Evolutiva do Instituto Biológico Jovan Hadzi, parte do Centro de Pesquisa Científica da Academia Eslovena de Ciências e Artes.

Os cientistas investigaram e analisaram o aracnídeo incomum em 2011, que estavam observando outros tipos de aranhas, em Yunnan, na China. Eles descobriram a fêmea em questão em um galho, rodeada por folhas e sem nenhum sinal de teia ao redor. Os pesquisadores notaram que suas costas se assemelhavam a uma folha verde, vívida, enquanto a parte de baixo do seu corpo parecia uma folha morta.

Ao redor dela foram encontradas, posteriormente, folhas presas por teia, o que indica que foram colocadas ali de forma deliberada pela aranha. No entanto, Kuntner disse ao LiveScience que estudos posteriores são necessários para confirmar esse comportamento.

Depois de procurar por duas semanas, Kuntner e seus colegas conseguiram encontrar mais uma aranha desse tipo, um jovem macho, em uma teia. Depois disso, eles começaram a procurar em museus para ver se encontravam outros espécimes. “Depois de perceber a raridade dessas aranhas na natureza, nós conversamos com curadores e estabelecemos a sua raridade”, disse Kuntner. De fato, um espécime similar apareceu em uma coleção de um museu – uma fêmea foi encontrada no Vietnã. Entretanto, os cientistas acreditam que a fêmea vietnamita pertence a uma espécie já conhecida do gênero Poltys.

Ainda há muito a ser descoberto sobre essa espécie enigmática, e considerando que não é nada fácil encontrar espécimes para observar, podemos concluir que isso não é uma tarefa muito fácil.

As descobertas foram publicadas em 11 de novembro no Journal of Arachnology.

Originalmente por Mindy Weisberger | LiveScience

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