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Esse sistema de inteligência artificial pode criar obras como as de Van Gogh

Cambridge Consultants

Originalmente por Tereza Pultarova | LiveScience

Um novo sistema que usa inteligência artificial é capaz de transformar rascunhos e rabiscos em obras parecidas com as de grandes artistas do século 19 e 20, dizem pesquisadores.

O novo sistema, chamado ‘Vincent’, trabalha com base em dados extraídos da análise de mais de 8000 trabalhos da Renascença até o século 20. O sistema foi criado por engenheiros do Reino Unido, e de acordo com eles, Vincent é único não apenas por sua habilidade em fazer arte, mas também na capacidade de responder aos estímulos humanos.

“Vincent permite que você desenhe formas com uma caneta, formas que você imagina na sua mente, e a partir dessas figuras, ele produz uma pintura com base nas suas análises”, disse Monty Barlow, que liderou o projeto. “Existe a preocupação de que a inteligência artificial vai começar a substituir as pessoas na execução de algumas tarefas, mas Vincent permite que os humanos participem nas decisões criativas da I.A”, continuou.

O sistema de inteligência artificial não produz obras totalmente realísticas, mas apresenta detalhes da arte abstrata, por exemplo, de mestres da impressionismo e expressionismo, como Vincent van Gogh ou Edvard Munch.

De acordo com Barlow, ensinar arte ao novo sistema usando apenas 8000 obras é uma grande conquista, já que de acordo com o especialista isso seria praticamente impossível no passado – quase seriam necessárias milhões, ou bilhões de exemplos.

“A maioria das máquinas de aprendizagem desenvolvidas atualmente se baseiam na classificação e na alimentação de grandes quantidades de exemplos. Isso é chamado de aprendizado supervisionado. Você mostra milhões de fotos de um rosto, por exemplo, e milhões de fotos que não são um rosto, e esse sistema aprende a detectar rostos”, explica.

Já Vincent, no entanto, utiliza uma técnica um pouco mais sofisticada, que permite à máquina agir de forma auto-didata. A técnica em questão usa duas redes neurais que competem entre si. No começo, ambas redes são treinadas, por exemplo, a identificar imagens de pássaros. Depois disso, uma rede recebe a função de produzir mais imagens de pássaros que possam persuadir a outra a acreditar que eles são reais. Gradualmente, a primeira rede se torna melhor na produção de imagens realísticas, enquanto a segunda se torna melhor na percepção de imagens falsas. Os criadores de Vincent dizem ter levado cinco anos para desenvolver todo o sistema.

O sistema é um exemplo de como a inteligência artificial está evoluindo, e pode também dar dicas de como ela poderá funcionar no futuro. Sistemas parecidos, podem, de acordo com Barlow, ensinar carros tripulados automaticamente a perceber de maneira mais confiável a presença de pedestres, por exemplo.

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