Estudo sugere que a extração de petróleo está causando terremotos no Texas

Um número não natural de terremotos atingiu o Texas na última década, e a atividade sísmica da região está aumentando. Em 2008, dois terremotos acima da magnitude 3 atingiram o estado. Oito anos depois foram 12. As forças naturais provocam a maioria dos terremotos. Mas os seres humanos também estão causando terremotos com a construção de minas e barragens. Houve um recente aumento na extração de gás natural, o que produz muitas águas residuais. Para se livrar dela, a água é injetada profundamente no chão. Com isso, a pressão causada pelas águas residuais atinge antigas rachaduras, produzindo um estresse tectônico.

Mas para qualquer terremoto é praticamente impossível saber se os causadores foram os seres humanos ou a natureza. Não existem características conhecidas de um terremoto, não em magnitude ou na forma de suas ondas sísmicas, que fornecem sugestões para suas origens.

“Foi um período em que os cientistas quebraram a cabeça”, disse Maria Beatrice Magnani, que estuda terremotos na Southern Methodist University, em Dallas, no Texas. Junto com uma equipe de pesquisadores do US Geological Survey (USGS), Magnani, autora de um artigo sobre o assunto publicado na revista Science Advances, tentou identificar o que tem causado o aumento nos terremotos.

Um conjunto de terremotos em torno de um projeto de perfuração pode, na melhor das hipóteses, sugerir uma relação. “A abordagem principal tem sido correlacionar a localização com a atividade humana”, disse Michael Blanpied, geofísico do USGS e coautor do estudo. Os autores realizaram uma abordagem diferente: eles procuraram por falhas deformadas abaixo do Texas. “Essa técnica é chamada de imagem de reflexão sísmica de alta resolução”, disse Magnani. A reflexão sísmica é a mesma ferramenta que permite encontrar depósitos de petróleo e gás em estruturas subterrâneas.

Para coletar dados de reflexão sísmica, uma onda gerada artificialmente ondula pelo chão e reflete de volta à superfície, como a luz em um espelho. O resultado é “parecido com um ultrassom”, disse Magnani.

Os cientistas compararam a terra do Texas com o Mississippi, outra região sísmica ativa que, como o Texas, não está perto de uma borda de placa tectônica. Ao contrário do Texas, o norte do Mississippi tem uma história muito mais longa de terremotos registrados, remontando ao início dos anos 1800.

Um ultrassom subterrâneo revelou que, abaixo do Texas, os sinais mais recentes de falhas ativas estavam em uma camada geológica de 300 milhões de anos. Todas as camadas mais jovens acima eram estáveis. Na região do Mississippi, em contraste, as rochas contaram uma história de atividade contínua de falhas ininterruptas nos últimos 65 milhões de anos.

Dada a falta de falhas nos 300 milhões de anos mais recentes do Texas, não existe um processo geológico conhecido que possa explicar seu surto repentino de terremotos. Não há outra explicação, exceto que esses terremotos são causados ​​pela atividade humana, disse Magnani.

O estudo está alinhado com o que outros especialistas em terremotos haviam suposto usando diferentes análises.

“Esta é uma contribuição histórica na questão de saber se os terremotos da bacia de Fort Worth são causados pelo homem”, disse Cliff Frohlich, um geofísico da Universidade do Texas e que não estava envolvido com o estudo. Frohlich disse que esta pesquisa elimina a possibilidade de que os terremotos do Texas fazem parte de um ciclo natural de falhas que despertam a cada poucos mil ou milhões de anos.

Traduzido e adaptado de The Washington Post.

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