Mulher morre após desenvolver infecção que resistiu a todos antibióticos conhecidos

Originalmente por Lydia Ramsey | Business Insider
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

Bactérias super-resistentes a antibióticos são temidas por toda a comunidade médica, e esse medo está se justificando nos Estados Unidos nos últimos tempos. Recentemente, uma mulher morreu no estado americano de Nevada, vítima de uma infecção fortíssima, que resistiu a todos os tipos de antibiótico que conhecemos, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA. Se um caso isolado não é suficiente para lhe causar pânico, saiba que de acordo com o CDC cerca de 10 milhões de pessoas deverão morrer anualmente por conta da resistência aos antibióticos em 2050.

Em entrevista ao Stat News, Alexander Kallen, médico da Divisão de Promoção da Qualidade da Saúde do CDC, disse que o quadro é preocupante, e que os “insetos podem muitas vezes desenvolver resistências mais rápido do que podemos produzir novos antibióticos”. De fato, produzir antibióticos não é uma tarefa fácil, e é fato que muitas empresas farmacêuticas “pararam no tempo”, e há anos não evoluem seus antibióticos.

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E mesmo quando há iniciativas no sentido de lançar novos medicamentos, elas acabam esbarrando em outros empecilhos. Em 2016, como exemplo, a Cempra Pharmaceuticals, dos EUA, não conseguiu lançar uma nova droga, chamada solitromicina, pois falhou em obter informações sobre como a droga pode afetar o fígado. Sem as comprovações científicas de tais efeitos, a Administração de Alimentos e Drogas dos EUA barrou o novo medicamento, que tinha como objetivo combater um tipo de pneumonia bacteriana. De acordo com o Business Insider, essa droga terá de ser testada em nove mil pessoas antes de ser liberada.

Por outro lado, a Paratek Pharmaceuticals, também dos EUA, está atualmente trabalhando em um novo antibiótico, chamado de omadaciclina. O processo para a regulamentação desse novo medicamento já está correndo por duas décadas. De acordo com Evan Loh, presidente da Paratek, se a droga chegar ao mercado, terão sido pelo menos 15 anos de testes com humanos antes da regulamentação. Em entrevista ao Business Insider, Loh disse que a demora se dá por conta da dificuldade em classificar os compostos e decidir quais antibióticos podem funcionar para cada caso, mas também por culpa dos problemas financeiros que as empresas enfrentam. Não é fácil despender muito tempo para analisar todos os detalhes e trabalhar arduamente em cima de um novo medicamento quando você precisa competir com os genéricos.

E é extremamente importante que a humanidade consiga avançar no sentido de recuperar as rédeas do combate contra as bactérias, para que a situação não se agrave ainda mais. Também em conversa com o Business Insider, Adam Woodrow, diretor comercial da Paratek, disse que nós estamos ficando para trás.

“Houve um tempo em que estávamos nos mantendo acima (na luta contra as bactérias. Agora, parece que caímos”. Woodrow lembra que na era pré-antibiótica (onde a humanidade ainda não tratava os doentes com antibióticos) as pessoas muitas vezes morriam aos 30 anos de idade por conta de infecções. “Você consegue imaginar um cenário em que voltemos a essa situação?”, questiona o diretor.

Se nada for feito, os casos de morte por infecções “incuráveis” não serão mais tão isolados.

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