Artigos científicos, notícias e muito mais.

O aquecimento global existe? Se sim, é causado pelo homem? Conheça o consenso científico por trás disso.

O tema do aquecimento global desenfreado é bem pertinente a qualquer período em que estejamos inseridos no século XXI. A conclusão de que ele existe e está sendo causado por ações antrópicas é notória, porém, alguns ainda insistem em negar que há falta de consenso científico sobre o assunto e, muitas vezes, formulam hipóteses da conspiração para sustentar a afirmação. Assim, decidi traduzir esse texto (peço desculpas por não ter traduzido as imagens), do site SkepticalScience, de forma a discorrer minuciosamente tanto sobre o consenso científico e as associações e cientistas que o apoiam quanto sobre a importância de saber da existência do evento. É bem coerente dizer e destacar que o texto não é de nossa autoria.

O consenso científico será abordado por várias vezes no texto (redundantemente), como forma de enfatizá-lo.

A ciência admite um consenso quando os cientistas param de discutir sobre determinado tema. Quando uma questão é levantada – como “o que aconteceriam se colocássemos mais CO2 na atmosfera? -, talvez, existam várias hipóteses sobre causa e efeito. Ao longo de um certo período, cada ideia é testada e retestada – processos de produção do método científico -, porque todos os cientistas sabem que a reputação e os elogios irão para aqueles que encontrarem a resposta correta (e todos os outros tornam-se irrelevantes na história da ciência, a não ser que fomentem outras respostas mais produtivas). Quase todas as hipóteses caem no esquecimento durante esse período de testes, pois apenas algumas responderão à questão corretamente. Postulados ruins são, geralmente, ignorados.

O período de testes deve chegar a uma conclusão. Gradualmente, o foco da investigação vai se afunilando a alguns caminhos, que, às vezes, se somam e oferecem uma boa teoria com respostas adicionais ou previsões melhores.

O consenso científico é bem diferente do consenso político. Não há nenhuma votação. Os cientistas apenas deixam de discutir entre si porque o simples peso da evidência é mais convincente, seria como nadar contra a correnteza. Cientistas mudam suas mentes a partir do momento em que são fornecidas evidências bem corroboradas, e o consenso emerge ao longo do tempo. Não só os cientistas param de discutir como também apoiam o trabalho um do outro. Toda a ciência depende daquilo que a precede, e, quando um cientista constrói seu trabalho baseando-se no do outro, ele os reconhece a partir de citações. O trabalho que forma a estrutura da ciência das mudanças climáticas é citado com grande frequência por outros cientistas, demonstrando que a teoria é largamente aceita – e invocada.

No campo científico dos estudos dos clima – que é constituído de diversas disciplinas diferentes -, o consenso é demonstrado pelo número de cientistas que pararam de discutir sobre o que está causando as mudanças climáticas – geralmente, quase todos eles. Uma pesquisa feita com 928 resumos de revisão por pares na disciplina de “mudanças climáticas globais” publicados entre 1993 e 2003 mostra que nem um único artigo rejeitou a posição consensual de que o aquecimento global está sendo causado por ações antrópicas (Oreskes 2004). 75% dos papers concordaram com a posição consensual enquanto 25% não manifestaram posição sobre tal.

Benny Peiser, especialista em uma matéria voltada ao meio ambiente, repetiu a pesquisa de Oreskes e alegou ter achado que 34 estudos rejeitavam o consenso. No entanto, uma inspeção de cada um dos estudos citados revela que a maioria deles não rejeita o consenso ao todo. Os artigos citados por Peiser são editoriais ou cartas, não pesquisas revisadas por pares. Ele retratou-se sobre o seu feito logo após:

“Apenas poucos estudos rejeitam ou duvidam explicitamente do consenso do aquecimento global antropogênico, motivo pelo qual apontei minha crítica. Não questiono se estamos passando por um processo de aquecimento, bem como não duvido que a maioria esmagadora dos climatologistas concordam que ele está sendo causado pelos humanos”.

Um estudo seguinte, realizado pela organização Skeptical Science, analisou 12.000 resumos de estudos com revisão por pares com os conteúdos envolvendo “aquecimento global” ou “mudanças climáticas globais” publicados entre 1991 e 2011. Foi encontrado que, dos papers, mais de 97% concordaram que os humanos são a causa disso. Na segunda fase do projeto, os autores dos estudos receberam e-mails e a conclusão foi a mesma.

Uma pesquisa subsequente confirmou o resultado. Ela fomentou-se a partir das respostas 3146 cientistas ao questionamento “Você acha que a atividade humana é um fator significante para as mudanças nas temperaturas do globo terrestre?” (Doran 2009). Mais de 90% dos participantes tinham P.h.D e 7% tinham graduações em mestrado. 82% dos cientistas responderam que sim. No entanto, o mais interessante foi que as respostas foram comparadas ao nível de especialistas nas mudanças climáticas. Dos cientistas que não eram climatologistas e não publicavam pesquisas frequentemente no âmbito, 77% responderam que sim. Em contraste, 97,5% dos climatologistas que publicam, ativamente, pesquisas sobre mudanças climáticas responderam que sim. É notória a concordância que há à medida que o nível de pesquisas ativas e especializações nas ciências climáticas aumentam.

Impressionante mesmo é, ainda, a grande divisão entre especialistas (97,4%) e o público em geral (58%). O paper conclui:

“O debate sobre a autenticidade do aquecimento global e o papel realizado pela atividade humana é largamente inexistente dentre aqueles que entendem as nuances e a base científico dos processos climáticos a longo-prazo. O desafio parece ser em como comunicar efetivamente esse fato aos políticos e ao pública que continua a achar, erroneamente, que há debate entre os cientistas”

Anderegg (2010)

Esse consenso extraordinário dentre os especialistas é confirmado por um estudo independente que pesquisou todos os cientistas do clima que fizeram declarações públicas apoiando ou rejeitando-o. Achou-se que entre 97% e 98% dos especialistas o apoiam (Anderegg 2010). Ainda, eles examinam o número de publicações de cada cientista como uma medida de provar que eles possuem alguma especialização. Foi achado que o número médio de publicações de cientistas não convencidos (céticos) é relativamente pequeno ao de cientistas convencidos pelas evidências. Não apenas há uma vasta diferença na quantidade dos dois grupos, também há uma lacuna considerável dos especialistas.

Vision Prize

Vision Prize é uma rede online de cientistas sobre os riscos no clima. É uma plataforma de pesquisas imparcial e independente incentivada por pesquisadores peritos em publicações científicas relevantes aos políticos. Além de acessar as visões dos cientistas, o Vision Prize pede para que os participantes analisem as visões uns dos outros. As afiliações dos que participam e seus respectivos campos estão ilustrados na Figura 3.

Como a imagem mostra, a maioria (~85%) dos participantes são acadêmicos, e, aproximadamente, metade de todos os participantes são geocientistas. Assim, a experiência média de tais é muito boa.

Aproximadamente 90% dos participantes responderam que a atividade humana vem tendo uma influência primária nas temperaturas globais desde 250 anos atrás, com os outros 10% respondendo que isso foi uma causa secundária, e ninguém respondendo que ou os humanos não tiveram influência ou as temperaturas não aumentaram.

Associações científicas que endossam o consenso

As organizações científicas seguintes endossam a posição consensual de que “a maioria da causa do aquecimento global nas décadas recentes pode ser atribuído às atividades humanas”:

American Association for the Advancement of Science

American Astronomical Society

American Chemical Society

American Geophysical Union

American Institute of Physics

American Meteorological Society

American Physical Society

Australian Meteorological and Oceanographic Society

Australian Bureau of Meteorology and the CSIRO

British Antarctic Survey

Canadian Foundation for Climate and Atmospheric Sciences

Canadian Meteorological and Oceanographic Society

Environmental Protection Agency

European Federation of Geologists

European Geosciences Union

European Physical Society

Federation of American Scientists

Federation of Australian Scientific and Technological Societies

Geological Society of America

Geological Society of Australia

Geological Society of London

International Union for Quaternary Research (INQUA)

International Union of Geodesy and Geophysics

National Center for Atmospheric Research

National Oceanic and Atmospheric Administration

Royal Meteorological Society

Royal Society of the UK

As Academias de Ciência de 80 países diferentes que endossam o consenso:

13 países assinaram um documento para endossar a posição consensual:

Academia Brasileira de Ciências (Brasil)

Royal Society of Canada

Chinese Academy of Sciences

Academie des Sciences (França)

Deutsche Akademie der Naturforscher Leopoldina (Alemanha)

Indian National Science Academy

Accademia dei Lincei (Itália)

Science Council of Japan

Academia Mexicana de Ciencias (México)

Russian Academy of Sciences

Academy of Science of South Africa

Royal Society (Reino Unido)

National Academy of Sciences (Estados Unidos)

Uma carta feita por 18 organizações científicas do Estados Unidos  coloca:

“Observações feitas por todo o mundo tornam claro que as mudanças climáticas estão ocorrendo, e a rigorosa pesquisa científica demonstra que os gases do efeito estufa emitidos por atividades humanas são a força motriz primária. Essas conclusões baseiam-se em um vasto corpo de evidências, distribuídos em múltiplas linhas independentes, e asserções contrárias são inconsistentes em relação a isso”

O consenso é, também, endossado por um documento feito pela Network of African Science Academies (NASAC), incluindo os seguintes corpos:

African Academy of Sciences
Cameroon Academy of Sciences
Ghana Academy of Arts and Sciences
Kenya National Academy of Sciences
Madagascar’s National Academy of Arts, Letters and Sciences
Nigerian Academy of Sciences
l’Académie des Sciences et Techniques du Sénégal
Uganda National Academy of Sciences
Academy of Science of South Africa
Tanzania Academy of Sciences
Zimbabwe Academy of Sciences
Zambia Academy of Sciences
Sudan Academy of Sciences

Outras Academias de Ciências que endossam o consenso:

Australian Academy of Science
Royal Society of New Zealand
Polish Academy of Sciences

As pesquisas dos resumos de obras

O primeiro passo de nova abordagem envolveu a expansão da pesquisa original da literatura científica revisada por pares em Oreskes (2004). Realizou-se uma pesquisa, em publicações de jornais científicos, pelas palavras-chave “aquecimento global” e “mudanças climáticas globais” entre os anos de 1991 e 2011, chegando a 12 000 papers. John Cook criou, então, um sistema na web que iria disponibilizar, aleatoriamente, o resumo dos papers. Nós concordamos nas definições de possíveis categorias: endosso implícito ou explícito de que o aquecimento global foi causado pelos humanos; posição neutra e; rejeição implícita ou explícita (ou minimização da influência humana).

A pesquisa foi similar à feita por James Powell, como ilustrado no gráfico abaixo. Powell examinou 14 000 resumos, pesquisando por rejeições explícitas ao aquecimento global causado por ações antrópicas, encontrando apenas 24. Nós apenas levamos isso à frente, também olhando para rejeições implícitas, nenhuma opinião, ou endossos explícitos/implícitos.

Figura 6: 13 950 artigos revisados por pares pesquisados aceitaram o aquecimento global entre 1991 e 2012, enquanto apenas 24 negaram.

Houve uma abordagem conservadora em nossas classificações. Por exemplo, um estudo que toma como certo que o aquecimento global vai continuar por um futuro previsível poderia, facilmente, ser colocado na categoria de endosso implícito; não há nenhuma razão para esperar que o evento vá continuar por um tempo indefinido a não ser que os humanos o estejam causando. Entretanto, alguns resumos não incluíam, implícita ou explicitamente, suposições sobre a causa do aquecimento, o que foi caracterizado como “neutro”.

John Cock realizou, também, uma reavaliação do projeto a partir de uma pesquisa feita com os próprios autores dos resumos. Entretanto, isso não foi parte da pesquisa ou das conclusões.

A equipe

A equipe de voluntários do Skeptical Science procedeu ao categorizar os 12 000 resumos – tornando a pesquisa a mais completa do tipo no período. Cada paper foi classificado independentemente ao menos duas vezes, com a identificação de outro co-avaliador não conhecida. A dúzia de membros completou, sozinha, mais de 24 000 avaliações. Não houve nenhum financiamento para tal projeto; todo o trabalho foi baseado em ações puramente voluntárias.

Uma vez que terminamos tudo, voltamos atrás e checamos todos os resumos, olhando para onde havia desacordos. Se o desacordo sobre o dado paper não pudesse ser resolvido pelos dois acusadores, uma terceira pessoa era convocada.

Os voluntários eram de diferentes partes do mundo. A equipe era formada de pessoas vindas da Austrália, EUA, Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, Alemanha, Finlândia e Itália.

As auto-avaliações

Como um teste independente do consenso medido, nós também mandamos e-mails para mais de 8 500 autores e os perguntamos para classificar seus próprios artigos usando nossas mesmas categorias. A melhor pessoa para dar a classificação do nível de endosso de um paper publicado, talvez, seja o próprio autor. Ainda, as avaliações, ao contrário do que fizemos, foram feitas considerando o artigo em si, não apenas o resumo. Recebemos respostas de 1 200 cientistas, que classificaram cerca de 2 100 papers.

Os resultados do consenso de 97%

Baseando-se em nossas catalogações, encontramos que mais de 4 000 papers expressaram uma posição sobre a causa do aquecimento global, 97,1% dos quais endossaram que os humanos são a causa. nas auto-avaliações, cerca de 1 400 papers foram classificados como posicionados, 97,2% dos quais endossaram a participação antrópica.

Encontramos que, aproximadamente, 2/3 dos papers não expressaram uma posição no resumo sobre o assunto, o que confirma que somos conservadores em nossas primeiras classificações. Esse resultado não é surpreendente por duas razões: 1) a maioria dos jornais tinham limites de palavras para os resumos e; 2) francamente, quase todo cientista que faz pesquisas sobre o clima sabe que os humanos estão causando o aquecimento global. Não há, de longe, uma necessidade de enfatizar algo tão óbvio. Por exemplo, você esperaria que todo paper de geologia notasse, em seu resumo, que a Terra é um corpo esférico que orbita o Sol?

O resultado foi, também, previsto por Oreskes (2007), que notou que os cientistas “geralmente, focam suas discussões em questões que são, ainda, disputadas ou que não foram respondidas, ao invés de questões que todos concordam”.

Entretanto, segundo as auto-avaliações, cerca de 2/3 dos papers expressam alguma posição em algum local.

Descobrimos, também, que o consenso foi fortalecido gradativamente ao longo do tempo. O ritmo lento reflete que tem havido pouco espaço para crescimento, dado que o consenso já é bem estabelecido em mais de 90%  desde 1991. No entanto, tanto na análise de resumos quanto nas auto-avaliações, encontramos que o consenso cresceu para 98% a partir de 2011.

Figura 7: Gráfico que mostra a porcentagem de “papers” endossando o aquecimento global em função do ano. A linha azul representa a porcentagem baseada nos resumos e a verde, em auto-avaliações. Cook et al. (2013).

Nosso resultados são, também, consistentes com uma pesquisa prévia que encontrou um consenso de 97% entre os especialistas do clima sobre a causa humana do aquecimento global. Doran and Zimmerman (2009) investigaram geocientistas e encontraram que, dos 77 que responderam à pesquisa, 75 (97,4%) concordaram que “a atividade humana é um fator significante para a contribuição nas mudanças das temperaturas globais”. Anderegg et al. (2010) compilou uma lista de 908 pesquisadores com ao menos 20 publicações revisadas por pares em revistas científicas. Foi encontrado que aproximadamente 97% dos que se identificaram como ativos publicadores concordaram com o que já foi citado.

Em nossa pesquisa, dentre os cientistas que expressaram uma posição sobre o aquecimento global nos resumos, 98,4% endossaram o consenso. Isso é melhor que o consenso de 97% dos papers, pois os artigos de endosso tiveram mais autores do que artigos que os rejeitaram, em média. Ainda, há um consenso de 97,1% na literatura de revisão por pares, e um consenso de 984% entre cientistas que pesquisam as mudanças climáticas.

Por que isso é importante?

Diversos estudos mostraram que pessoas que percebem, corretamente, o consenso científico do aquecimento global como causa antrópica têm mais tendência a apoiar ações governamentais para combater as emissões de gases do efeito do estufa. Isso foi mostrado recentemente em McCright et al. (2013), publicado no jornal Climatic Change. Tais pessoas irão esperar pelo julgamento de especialistas, e acreditam nos cientistas do clima.

No entanto, pesquisas mostraram, também, que o público é mal-informado sobre o consenso. Por exemplo, em um estudo de 2012, do Pew Research Center, dos Estados Unidos, encontrou que menos da metade dos americanos sabem que os cientistas concordavam que os humanos estão causando o aquecimento global. Um contribuinte a essa percepção é a tentativa de balancear as informações pela mídia, principalmente nos EUA, onde a maioria das notícias sobre os climas são “balanceadas” com uma perspectiva “cética”. Assim, os 3% de informações não-consensuais acabam tornando-se 50%, bem como os 97% das consensuais. Ao tentar “equilibrar”, a mídia acaba “desequilibrando”. Como resultado, as pessoas acreditam que os cientistas ainda estão discutindo sobre o que causa o aquecimento global, e, ainda, não há público o suficiente ou motivação para resolver o problema.

Figura 8: Percepção pública do consenso e realidade do consenso.

Tal balanceamento falso tem sido o alvo de uma dedicada campanha de desinformação realizada pela indústria de combustíveis fósseis. Apenas como um exemplo, em 1991, a Western Fuels Association conduziu uma campanha de 510 000 dólares, visando a “retomar a posição do aquecimento global como teoria (não como fato).” Esses interesses, provavelmente, fomentaram o desejo da mídia de parecer “equilibrada”.

Acesso livre para a máxima transparência

Nós escolhemos submeter nosso paper ao jornal Environmental Research Letters, por ser um jornal bem-respeitado e de alto impacto, mas, também, para que todos possam acessar fazer o download do artigo. Isso é importante para nós, pois queremos que nossos resultados sejam mais acessíveis e transparentes possíveis.

Para pagar a taxa de livre acesso, pedimos doações para leitores do Skeptical Science. Recebemos 50 doações em menos de 10 horas, o que cobriu o custo de 1 600 dólares.

Aquecimento global causado pelos humanos

Nós antecipamos, completamente, que alguns indivíduos que sustentam uma contraposição dirão: “nós não discutimos que os humanos estejam causando algum aquecimento global.” Em primeiro lugar, há uma gama de pessoas que ainda disputam isso. Nossa posição demonstra que isso é infundado. Em segundo lugar, procuramos papers que quantificasse a contribuição humana ao aquecimento global, e a maioria não foi tão específica. No entanto, como  já supracitado, se um artigo minimizou a contribuição humana, ele foi rejeitado. Por exemplo, se um paper disser que “o sol causou a maioria do aquecimento global ao longo do século passado”, ele estaria incluso dentre os 3% dos artigos que foram rejeitados.

Muitos estudos simplesmente adiam para o resumo de especialistas do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), que afirma que a maior parte do aquecimento global, desde a metade do século XX, tem sido causado por humanos. De acordo com uma pesquisa recente, essa afirmação é, na verdade, muito conservativa.

Dos papers que examinam especificamente o ser humano e as causas naturais do aquecimento global, virtualmente, todos concluem que os homem é a causa dominante nos últimos 50-100 anos.

Figura 9: Contribuições percentuais naturais e antropogênicas ao aquecimento da superfície global nos últimos 50-65 anos, de acordo com: Tett et al. 2000 (T00, azul-escuro); Meehl et al. 2004 (M04, vermelho); Stone et al. 2007 (S07, verde-claro); Lean and Rind 2008 (LR08, roxo); Huber and Knutti 2011 (HK11, azul-claro); Gillett et al. 2012 (G12, laranja); Wigley and Santer 2012 (WS12, verde-escuro) e; Jones et al. 2013 (J12, rosa).

A maioria dos estudos simplesmente aceitam esse fato e prosseguem para examinar as consequências das ações do ser humano e as mudanças climáticas associadas.

Outro ponto importante é que, uma vez que você aceita que os humanos estão causando o aquecimento global, você, também, deve aceitar que tal evento ainda está acontecendo; o homem o causa aumentando as emissões de gases do efeito estufa, o que, consequentemente, acelera o aumento das temperaturas e que, ao longo da década passado, os oceanos também sofrem. Se você aceitar que o humano causa o aquecimento global, ele não pode ter parado de repente, então, o calor, talvez, esteja em algum local: nos oceanos.

Espalhe isso!

A consciência de que há um consenso científico explicando que o aquecimento global é causado pelos humanos é um fator-chave nas decisões das pessoas de se elas apoiam ou não ações que reduzem as emissões de gases estufa. No entanto, há uma lacuna aqui, devido à falta de consciência do consenso pelo público. Assim, é fundamental que as conscientizemos. Para esse fim, a SJI Associates criou um website, centrado nos resultados de nossas pesquisas e que inclui uma grande quantidade de gráficos como os mostrados aqui. Há, também, o twitter do projeto: @ConsensusProj. [Os links estão em inglês, mas, nós, do Climatologia Geográfica, faremos de tudo para disponibilizar aos nossos leitores leigos em inglês as informações necessárias].

Muito possivelmente, a coisa mais importante para comunicar sobre as mudanças climáticas é a divulgação do consenso dos especialistas e das pesquisas científicas. ESPALHEMOS ESSA INFORMAÇÃO E FECHEMOS A “LACUNA DO CONSENSO”.

Comentários
Carregando...