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Os colonizadores de Marte talvez precisem mudar radicalmente seus corpos e mentes

Por Elizabeth Howell | Live Science

Traduzido e adaptado por Matheus Gonçalves

Em 2016, dois astronautas terminaram quase um ano de trabalho na Estação Espacial Internacional (ISS). Scott Kelly e Mikhail Kornienko tiveram suas mudanças na saúde física e psicológica estudadas de perto.

A NASA promoveu a missão como parte da sua “viagem à Marte”, na qual espera enviar seres humanos para o planeta vizinho já na década de 2030. Mas um artigo recente publicado na revista Space Policy argumenta que existem muitos aspectos de uma colônia marciana que são praticamente impossíveis de se simular na Terra.

“Não podemos simular as mesmas condições físicas e ambientais para reconstruir o ambiente marciano, como a microgravitação marciana ou exposição a radiação”, escreveu o autor, Konrad Szocik, cientista da Universidade de Tecnologia da Informação e Gestão em Rzeszow, na Polônia. “Consequentemente, não podemos prever os efeitos físicos e biológicos que atingirão os seres humanos que viveriam em Marte.”

Ele argumenta que a “viagem só de ida” e todos os seus perigos não podem ser simulados na ISS ou na Antártida, um dos lugares mais remotos da Terra e frequentemente citado em estudos análogos. Szocik argumenta que as pessoas na Antártida não dependem de suporte artificial de vida, enquanto os astronautas precisam.

O autor sugere que indivíduos acostumados a viver em condições difíceis seriam mais adequados para a exploração marciana. Isso quer dizer que a ISS ou a Antártida seriam locais úteis para treinamento, entretanto, pode ser preciso dar um passo adiante – modificar os corpos e mentes das pessoas antes de viajar para Marte.

No ponto de vista de Szocik, uma possibilidade seria aumentar os sentidos humanos eletronicamente ou prescrever medicações que possam ajudar a diminuir as reações emocionais em momentos de crise. Claro, como fazer isso ainda está mais na ficção científica do que na ciência propriamente dita.

“O ser humano é um animal social e vive em grupo”, disse ele. “Problemas coletivos afetam muitas coisas, e devemos considerar desde agora como podemos evitar tais problemas humanos típicos, como conflitos, guerras, entre outros.”

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