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Pessoas não são nutritivas, portanto, canibais devoravam humanos por outras razões

Originalmente por Peter Dockrill | Science Alert
Traduzido e adaptado por Matheus Gonçalves

Embora hajam evidências generalizadas de canibalismo entre nossos antepassados pré-históricos, parece que a prática de consumir o seu companheiro de caverna não foi puramente motivada pela necessidade de comida.

De acordo com uma análise do conteúdo calórico do corpo humano, nossos predecessores antigos não ofereciam muito em uma perspectiva nutricional — significando que canibais pré-históricos devem ter sido motivados por outros fatores além de exigências dietéticas.

“Nós somos um animal bastante pequeno e não temos muita carne ou gordura”, afirma o arqueólogo James Cole, da Universidade de Brighton, no Reino Unido. “Talvez haja mais um motivador aqui. Não os rituais especificamente, mas o lado social.”

Para identificar as motivações culinárias de canibais no período Paleolítico (que durou de cerca de 2,6 milhões de anos atrás a cerca de 10.000 anos atrás), Cole criou um modelo nutricional para o corpo humano, analisando as quantidades de proteína e gordura contidas em cada parte do corpo, e convertendo as informações em valores calóricos.

Em outras palavras, você sabe que pode encontrar as informações nutricionais em praticamente todas embalagens de alimentos, certo? Isso é o que Cole calculou para um corpo masculino, magro e adulto pesando cerca de 66 quilos. Se você fosse comer este indivíduo da cabeça aos pés, você consumiria cerca de 144.000 calorias no total, com cerca de 32.000 calorias provenientes dos músculos esqueléticos, as fibras musculares responsáveis pelo movimento do corpo.

Entretanto, consumir apenas o tecido muscular de outros animais proporcionaria mais calorias do que toda a carne, gordura e músculos de um ser humano. Um único mamute teria fornecido 3,6 milhões de calorias derivadas de seus músculos, enquanto um urso ou um cavalo forneceriam 600 mil e 200 mil calorias, respectivamente.

Em termos de energia, um corpo humano proporcionaria aproximadamente a mesma quantidade de energia que um antílope, mas era muito mais perigoso para capturar e matar.
Segundo Cole, isso significa que a escassa quantidade de energia adquirida comendo pessoas simplesmente não poderia ter justificado comê-los para a sobrevivência, como pesquisadores já sugeriram.

A próxima pergunta é por que, então, os antigos canibais escolheram comer seres humanos, se nós somos uma fonte tão pobre de nutrientes? Cole diz que não há provas suficientes para saber com certeza, mas ele acha que as razões pelos quais os humanos primitivos comiam carne humana eram relacionadas a fatores sociais ou culturais específicos de suas tribos e comunidades, como rituais realizados com rivais mortos depois de guerras.

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