Planetas da TRAPPIST-1 talvez não sejam habitáveis, dizem cientistas

Originalmente por Mike McRae | ScienceAlert.
Traduzido e adaptado por Leonardo Ambrosio.

De acordo com as estimativas mais recentes feitas pelos cientistas, pelo menos um dos sete planetas existentes no sistema da TRAPPIST-1 pode ter perdido sua atmosfera por conta das grandes quantidades de radiação liberadas pela estrela. Isso faz com que seja improvável a presença de água líquida no planeta. Dizemos “pelo menos um” pois o mesmo pode ter acontecido com os outros seis planetas, ainda que não exista confirmação disso no momento.

Entretanto, como esperança, os cientistas se agarram na possibilidade de a estrela em questão ser muito jovem para ter explodido as atmosferas. Neste cenário ainda teríamos possibilidade de sonhar com a vida nestes planetas.

As estimativas partem do Observatório da Universidade de Genebra, na Suíça, onde pesquisadores têm comparado os tipos de radiação emitidos pela estrela anã, concluindo que ela não parece ser tão antiga assim.

Climatologia Geográfica
NASA/JPL-Caltech

O sistema da TRAPPIST-1 é muitas vezes apelidado de “irmão” do nosso sistema solar. Localizada a 39 anos-luz de distância da Terra, a estrela faz parte de um sistema com sete planetas – ainda que no começo os cientistas houvessem acreditado que existiam apenas três. Alguns cientistas sugerem que pelo menos parte desses planetas podem estar localizados em uma zona que favorece a presença de água líquida na superfície.

Mas orbitando tão perto de sua estrela, os planetas provavelmente enfrentam um grande problema: um dos hemisférios está constantemente voltado para a estrela, enquanto o outro lado está sempre na escuridão. No mês passado a comunidade científica recebeu a má notícia de que o planeta mais próximo fora do nosso Sistema Solar, orbitando a Proxima Centauri, é provavelmente apenas um pedaço de rocha polida de alguma atmosfera pelas rajadas de radiação da sua estrela anã.

Em casos como este, a radiação da estrela ioniza gases na atmosfera do planeta, o que por sua vez permite que as partículas se afastem da superfície do planeta. Este mesmo efeito é o que pode ter ocorrido nos planetas internos do sistema da TRAPPIST-1, fazendo com que eles perdessem grandes quantidades de água ao longo da sua vida. Na última pesquisa realizada pelos especialistas, foram comparados os raios X produzidos pela coroa fina da estrela e a luz ultravioleta que provém dos átomos de hidrogênio da camada da cromosfera logo abaixo da coroa.

Todo esse trabalho resultou em indícios de que a TRAPPIST-1 emite menos da metade desta luz ultravioleta que a Proxima Centauri. Entretanto, quando falamos de raios X, os números são bem semelhantes, o que é um tanto estranho já que a emissão deveria diminuir com o tempo. Segundo os especialistas, a emissão de raio-X é a que diminui mais rápido. “O fato de TRAPPIST-1 emitir cerca de três vezes menos ultravioleta do que raio-X sugere que ela é relativamente jovem”, escreveram os pesquisadores no trabalho.

Entretanto, ainda existem algumas dúvidas em relação à estrela. Apesar da TRAPPIST-1 parecer jovem, seu movimento através do espaço faz com que ela esteja dentro de uma multidão mais antiga de estrelas. Isso pode ser uma coincidência, ou um indício de que ainda há muito mais para aprender.

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