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Pesquisadores descobrem como vírus da raiva “sequestra” neurônios

A raiva é geralmente transmitida através da mordida de um animal infectado no tecido muscular do novo hospedeiro. A partir daí, o vírus viaja todo o caminho até o cérebro, onde se multiplica e provoca a doença geralmente fatal. Um artigo publicado na revista PLoS Pathogens fala sobre como o vírus sequestra o sistema de transporte nas células nervosas para chegar ao cérebro com velocidade máxima e eficiência.

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Vírus que viajam no sangue podem se espalhar por todo o corpo sem muito esforço por conta do bombeamento do coração. As células nervosas (neurônios) são altamente assimétricas: uma longo saliência chamada axônio se estende para outra célula nervosa ou um órgão-alvo como o músculo, ao longo de uma rota de transmissão específica. Axônios podem medir várias centenas de vezes o diâmetro do corpo da célula, e, além da transmissão de impulsos elétricos, também fazem o transporte de materiais moleculares sobre estas distâncias.

O vírus da raiva é conhecido por usar de este sistema de transporte. Eran Perlson (Universidade de Tel Aviv, Israel) e colegas começaram a examinar os detalhes de como isso ocorre. Os pesquisadores montaram um sistema para cultivar células nervosas assimétricas em uma câmara de observação e usar imagens de células vivas para rastrear como as partículas do vírus da raiva são transportados ao longo dos axônios.

Eles se concentraram no receptor p75NTR, uma proteína que é encontrada nas pontas dos neurônios periféricos e conhecida por se ligar uma pequena molécula chamada NGF. Quando NGF se liga à p75NTR, ambos são levados para dentro do neurônio e se movem em bolhas chamadas “vesículas” em direção ao corpo celular. Os pesquisadores descobriram que o vírus da raiva age semelhante ao NGF: liga-se ao p75NTR, ambos entram no neurônio, e posteriormente são encontrados em vesículas que se movem em direção ao corpo da célula nervosa.

O vírus da raiva é conhecido por ser capaz de infectar neurônios na ausência de p75NTR. Porém, quando os pesquisadores cultivaram células que não tinham p75NTR em sua câmara de observação, eles descobriram que o transporte do vírus é menos freqüente e mais lento. O transporte independente do p75NTR também foi irregular, com uma proporção maior de vírus que se desloca na direção errada (para longe do corpo celular, para a ponta), o que sugere que o p75NTR facilita o movimento dirigido do vírus. Quando os pesquisadores mediram a velocidade do transporte, eles descobriram que quando o vírus da raiva é transportado com p75NTR, ele se move cerca de 8 centímetros por dia, o que é consideravelmente mais rápido (cerca de 40%) do que a velocidade de transporte para o NGF, o parceiro regular do p75NTR.

“O nosso estudo mostra que o vírus da raiva não só pode sequestrar os sistemas de transporte do neurônio, mas pode manipular o transporte axonal para facilitar a sua entrada para o corpo da célula, e a partir daí para o sistema nervoso central a uma velocidade máxima,” foi escrito pelos autores.

Artigo completo: PLoS Pathogens

Fonte: Biosciente Technology

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